terça-feira, 3 de julho de 2007

Minhas



No chão, encontre meus restos. Bitucas e sonhos, garrafas pela metade e
planos, roupas e panos.

Lá eu fiquei porque lá me esqueci. Lá eu estou porque
não sei qual direção vai me erguer. Qual dos ventos irá me
assoprar?

Então, encontro inha criança, que pula soltando risos entorpercentes,
que grita gargalhadas. A minha criança que enxerga tão fundo que nesse
azul ela se perde, se afoga. Ela transcende o vermelho.


Encontrolá também, minha mulher, que me traiu com seus instintos, do
mais fulgaz ao aflito, que ecoou o mais belo gemido. Que me traiu com seus
amores, desamores. Que perdeu o controle que tanto guarda no guardaroupas,
em meio às tuas veias que pulsavam ao ritmo daquele gemido, vivo.


Encontrominha mãe, que diz para tomar cuidado para não se resfriar no
frio, porque o frio é frio e congela. Que manda você se alimentar, de almas
e de algas. Que segura a sua mão quando atravessa a rua, que vela teu sono
de veludo. Que ensina que mentir é feio e que dá cáries.


E encontro por fim, a menina, que é minha mãe, minha mulher, minha
criança. Perdida em meio às folhas de Outono, mesmo sendo Primavera.
Encontroa menina, que de tantas voltas fica tonta e translúcida. Nua e
livre. Presa e leve. Encontro, a
mais contraditória contradição que não contradiz. Em forma feminina e
delicadamente andrógena. Querendo apenas ser
o que for.


E então...assopro!

Nenhum comentário: