quinta-feira, 13 de maio de 2010
03:27
Agora quero ficar quieta no canto. Cantar uma música nova, que talvez não exista. Abraçar minhas lembraças do passado e do futuro, como se fossemos um casal apaixonado. Quero pensar que vou morrer amanhã, e sentir o gole torto da vida. Acho que minha quantidade de lágrimas é proporcional à minha quantidade de sorrisos. Acontecem coisas que se comparam à paixão, que é o método mais fácil para uma pessoa preguiçosa, como eu, se livrar do tédio. Só me apaixono no ócio e adoro criar mentiras. Mas nunca deixo elas viverem mais que um suspiro. A verdade ainda me é mais interessante, porque dói mais e é mais viva. Quando a paixão acaba é como comer o último pedacinho daquele doce, e é que nem trocar um curativo também. A lembrança mais recente de algo que se compara à paixão na minha vida se monta com velas, sangue, dor, batuque e algumas pessoas em roda. E uma energia maluca. Macumba de umbigada pra alguns olhos e ouvidos. Ou só diversão improvisada no querer. Me dá agonia pensar que talvez seja impossível estar sozinha, assim como me dá agonia a solidão. Qual será a criatura mais sozinha do mundo todo? Penso nas formigas, talvez por isso eu goste delas. Sei que formigueiros são super populosos, mas acho que alguma delas pode se perder por aí, são tão pequenas e invisíveis. Matei uma borboletinha, achando que era um mosquito, me senti mal por isso, e logo depois me senti mal ao contrário. Por que borboletas sim e mosquitos não? Bote tudo no liquidificador, depois leve ao forno por 30 minutos. Queria ser outros e queria ser mais de mim. Queria que eu tivesse um novo sentido. Qual será o sexto sentido de que tanto falam? Poderia eu ter o sétimo, ou infinitos sentidos. Aí acho que eu seria a mais feliz de todos. A imaginação conta como sentido? Será que vários sentidos infinitos acabam matando a pessoa? Ou nasce um novo planeta? Quanta bobagem voa por aí, e eu só queria um silêncio não inventado.
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Um comentário:
A sua confusão é bonita.
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