Me vejo no reflexo da janela do ônibus.
As ruas vão passando, eu continuo lá e isso me dá uma sensação estranha de metáfora. Queria estar com um agasalho laranja como no filme, ou ter 16 anos e tocar violão.
Às vezes ouço uma música, e aí parece que ela pega meu pensamento e estica, e estica, estica pro passado, e em forma de estilingue, arremeça ele pro futuro.
Queria que os vidros que refletem se espatifassem em cacos depois da estilingada.
Meu cabelo não é mais o mesmo, nem o olhar. O tempo tá passando em mim, eu sou os números e os ponteiros, e o tic-tac é a dúvida .
Só o sorriso trêmulo e bobo que continua.
O ônibus balança, e meu reflexo balança junto, e o pensamento parece soluçar. Gosto de viajar de trem. Gosto de viajar.
Sempre que algo está pra começar, vem a esperança da vida mudar. Mas não é a vida que eu quero que mude, sou eu que quero me mudar de mim. Pegar um trem e ir embora, sem janelas me refletindo o tempo todo.
Pareço uma menina-mutante-mulher.
Sou minha maior prisão.
Mas não, não é tristeza. Nem cocaína. É melancolia cinematográfica.
Tudo o que queria era meus 16 de volta. Dezesseis.
2 comentários:
isso foi estranhamente lindo.
em especial o uso do estilingue e o tic-tac que foram preciosos no traduzir
eles não virão novamente e o tempo a ti irá passar, e dos frutos irá colher apenas aquilo que importante deixar. Tu é menina, menina sábia e ativa, e se tu se apaga de vez em quando é meramente por conta de teu consciente.
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