quinta-feira, 11 de junho de 2009

Amora

Os corpos começam brincantes, como quem nada deseja.
Aos poucos...Aos toques, meu corpo vai sentindo a condição animal. Aos toques, meu corpo vai sendo arrepio, calor e umidade, febre sã. A vontade toma posse do pensamento.
Braços envolvem . Bocas e mãos apertam. Pernas e peitos abertos, laçados. Meus olhos não sabem se enxergam ou deixam apenas a sinestesia do tato agir, se fechando como se fossem soprados pelo desejo.
Cada movimento vai roubando meu ar, minha consciência . A voz não fala, a voz não cala. Deixa sair apenas o som do que acontece por dentro de mim.Meu pulso descompassa, dança sem sentido, só sentindo. E no momento tudo o que tenho é meu corpo com o seu, molhados, suados.
Uma dose de prazer puro me toma com espasmos. Fecha meus olhos, arrepia cada poro, ata minha garganta e faz meu corpo sumir no espaço e no tempo. Só há calor. Não sei se é vida ou algo diferente.No momento sou nada e sou tudo, tenho nada e tudo. Não há mais controle. E então eu choro e você ri.
Devagar o corpo sensível e estremecido , começa a me devolver a consciência roubada.
E vejo que é tudo fantasticamente real.

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