O clima é semi-árido, semi aerado no pensamento emudecido.
No ar a fumaça pesada de cinza respirada com uma dor abdominal infernal.
Os barulhos se misturam heterogêneos aos ouvidos. Parece que é o choro de uma britadeira no urbano sangrento de concreto misturado com risadas estéricas de mulheres bêbadas, e ainda há um trovão de bem longe de uma chuva que não chega.
Não dá pra sentir na pele ou nas folhas das árvores a direção exata do vento. Ele se perde à cada indecisão que acontece por dentro desse lugar que é um labirinto com pouco ar.
Sobre a mesa, a luz vermelho-piscante-incessante-irritante de um eletrônico descartável conta qual é o tempo que passa pelos olhos estáticos de sede.
No pensamento, a espera iludida e profunda de um toque que não vem, a música que não toca, o telefone que não toca. Nem a pele toca.
Aparecem buracos de desespero confundidos na calmaria oferecida nesse agora.
E no fundinho do querer, aquele querer que ainda resta quase imperceptível no ventre dos escrombos, uma vontade apática de que qualquer coisa de vida aconteça.
3 comentários:
Uau! Pasmo!
Maravilhoso! É o melhor e mais poético texto que já te li. E é incrível ler assim te conhecendo sem te conhecer. Que o nosso junto é capaz de construir poesia. Tanto no bom quanto no ruim.
Sei do que se passa. Do que pode se passar. E ler este texto me mostra um conhecido que não conheço. Uma situação em que não estou situado. E é tudo verdadeiramente intenso, vívido.
É de um prazer de ler. Vejo sua evolução num estalar de dedos. E sua poesia, com a mesma intensidade, ser mais intensa.
E isso me faz sorrir.
E isso me faz sorrir.
não preciso nem dizer que teu texto tá ótimo, não é, Vanessa?
passagens marcantes.
Ninguém descreveria melhor o seco da cidade.
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